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sexta-feira, 18 de março de 2011

Nós, mamíferos adultos, devemos ou não beber leite?

Há alguns anos atrás, eu assisti na televisão a uma longa palestra com um médico nutrólogo, muito tranqüilo e articulado. O que na ocasião me despertou interesse, e por essa razão permaneceu em minha memória, foi que o referido médico desaconselhava enfaticamente que nós, adultos, bebêssemos leite. Segundo ele, leite é alimento para mamíferos bebês; ele também disse que, caso haja desejo ou necessidade de consumir leite, quanto mais processado e fermentado o leite for, melhor, pois menor será seu teor de lactose e haverá uma pré-digestão, ainda que incipiente, das proteínas do leite; consequentemente, menor será a possibilidade de reações alérgicas. Lembro-me de que ele associou o consumo de leite à produção excessiva de muco pelo organismo, principalmente nos aparelhos digestivo e respiratório.

Atualmente é muito mais fácil encontrar na internet sites que aconselham o consumo de leite do que o contrário. Quem fizer uma rápida busca na WEB constatará isso facilmente.

Ontem à noite, eu, que nunca fumei, mas que sempre bebi bastante leite no café da manhã, estava pigarreando muito e lembrei-me da entrevista do tal médico falando do acúmulo de muco, que causa o pigarro. Resolvi entrar na internet e pesquisar o assunto. Achei um site muito interessante, o http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=380&Itemid=34
Neste site, o autor menciona que o argumento largamente difundido de que o cálcio do leite ajuda a prevenir a osteoporose é falso; com efeito, em http://www.medicinacomplementar.com.br/bibliotecadenutrientes.asp , li que em uma xícara de 240 ml de leite há, segundo a USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), 291 mg de cálcio e somente 33 mg de magnésio. Ora, 60% do magnésio existente em nosso corpo estão nos ossos. Segundo o site, o magnésio é indispensável à fixação de cálcio nos ossos, podendo a sua deficiência causar ou agravar quadros de osteoporose no adulto e dificultar a calcificação correta dos ossos na infância e adolescência. Ou seja, segundo o autor, não adianta o leite ser rico em cálcio se ele é pobre em magnésio. O leite de vaca tem três vezes mais cálcio que o leite humano. Não importa; nenhum dos dois é muito útil para os adultos, porque para ser absorvido e utilizado é necessário haver quantidade igual de magnésio (como existe nas folhas verdes que as vacas comem para conseguir todo o cálcio de que precisam para seus ossos enormes). O leite só tem magnésio suficiente para que se absorvam cerca de 11% do cálcio (33 mg por xícara de 240 ml).

Por comparação, segundo o site http://www.ivu.org/portuguese/trans/tva-diaryfree.html , o índice de absorção de cálcio de vegetais de folhas verde-escuras como brócolis, couve-de-Bruxelas, repolho verde, couve-chinesa, couve, couve-nabiça, etc. é de 50-70%.

Decidi ampliar minha pesquisa para outras fontes de informação. Estudei o conteúdo de cálcio e magnésio em verduras de cor verde-escura, pois elas contém mais clorofila, a qual por sua vez é rica em magnésio, o qual proporciona, como vimos, uma melhor absorção de cálcio. No site da Unicamp (http://www.unicamp.br/nepa/taco/contar/taco_versao2.pdf) descobri que 100 g de verduras como a salsa crua têm 179 mg de cálcio e 198 mg de magnésio, e o espinafre refogado contém 133 mg de cálcio e 123 mg de magnésio, para ficar apenas com dois exemplos. Ou seja, tais alimentos têm um equilíbrio entre os teores de cálcio e magnésio muito maior do que o existente no leite de vaca.

Dois outros fatores que prejudicam muito a absorção do cálcio pelos ossos, e portanto constituem fatores de risco para a osteoporose, são as ingestões excessivas de sódio e de proteínas de origem animal. Com efeito, segundo informações do site http://bbel.uol.com.br/qualidade-de-vida/post/influencia-da-nutricao-e-atividade-fisica-na-prevencao-da-osteoporose.aspx , cada grama de sódio ingerida (comumente sob a forma de cloreto de sódio ou sal de cozinha) faz com que entre 20 e 40 mg do cálcio sejam eliminadas na urina. No que tange às proteínas de origem animal o caso é mais sério: a proteína animal (carne, galinha, peixe e ovos) também provoca a excreção de cálcio pela urina (http://reformadesaude.blogspot.com/2010/07/proteina-vegetal-x-proteina-animal.html) . A pessoa que segue uma dieta que não inclui proteína animal pode ter necessidade menor de cálcio. Por exemplo, um vegetariano estrito que consuma uma dieta pobre em proteína e sódio pode precisar apenas de 500mg de cálcio por dia. Quem consome uma dieta rica em proteína e sódio pode precisar até de 2000 mg de cálcio por dia. Para maior aproveitamento do cálcio da dieta, recomenda-se não ingerir mais de uma fonte de proteínas animais por refeição.

As necessidades diárias de cálcio variam de acordo com a idade e o sexo do indivíduo. Segundo o site http://ods.od.nih.gov/factsheets/calcium/, elas podem ser assim resumidas (em mg/dia): 0 a 6 meses, 210; 7 a 12 meses, 270; 1 a 3 anos, 500; 4 a 8 anos, 800; 9 a 13 anos, 1300; 14 a 18 anos, 1300; 19 a 50 anos, 1000; 51+ anos 1200. Mulheres após a menopausa podem necessitar até 1500 mg por dia.

Outro grande inimigo do aproveitamento do cálcio pelo organismo é o consumo excessivo de café, nicotina e álcool. Tais substâncias, além de inibirem a absorção do cálcio dos alimentos, ainda aumentam a excreção deste mineral pela urina e fezes (http://www.bancodesaude.com.br/osteoporose/causas-osteoporose ).

Dentre as referências que pesquisei, uma me chamou a atenção: Karjalainen et al. (1992). Nesse estudo, os autores constataram que na Finlândia ocorre a maior taxa mundial de consumo de leite e seus derivados e também a maior taxa mundial de diabetes insulino-dependente . A doença atinge cerca de 40 em cada 1.000 crianças, comparado com uma taxa de 6 a 8 por 1000 crianças nos EUA. Segundo os pesquisadores, anticorpos produzidos contra a proteína do leite do leite de vaca, durante o primeiro ano de vida, atacam e destroem células do pâncreas em uma reação chamada auto-imune, produzindo o diabetes em pessoas cuja constituição genética as deixa vulneráveis. Ora, em meu último exame médico anual de rotina, minha taxa de glicose no sangue, que nunca havia passado de 100 mg/dL, ficou em 104 mg/dL. Meses antes do exame, eu havia aumentado a porcentagem de laticínios na minha dieta. Terá sido mera coincidência?

Assim procedendo, tomei minha decisão: só irei consumir derivados do leite em pequenas quantidades e comerei mais legumes, verduras, cereais integrais, soja e seus derivados e peixes de água fria, pois estou convencido de que isso será melhor para minha saúde. Não aconselho ninguém a fazer o mesmo sem antes pesquisar o tema e ouvir conselhos de médicos nutrólogos e de nutricionistas!