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quarta-feira, 6 de abril de 2011

Quando o excesso de timidez se torna uma doença

A ansiedade social ou fobia social é a intensa ansiedade que surge sempre que o paciente é submetido à avaliação de outras pessoas. Essa ansiedade, embora seja intensa, não deve se estender a todas as funções que uma pessoa possa desempenhar, pois no caso o diagnóstico seria de transtorno de ansiedade generalizada ou TAG.

O diagnóstico da ansiedade social deve ser feito por um psiquiatra ou psicólogo devidamente habilitados para tal, pois esse distúrbio, também chamado de fobia social, pode ser diagnosticado errôneamente em pessoas que são muito tímidas, porém saudáveis.

Na maioria dos casos, a fobia social se manifesta quando o paciente precisa executar certas tarefas ou é exposto a situações bem definidas. Uma sensação de timidez é perfeitamente normal quando somos observados por outras pessoas: esse desconforto, além de ser aceitável, muitas vezes pode até ter suas vantagens, pois pode fazer com que uma pessoa decida preservar sua intimidade em situações onde isso seria desejável. É nesse ponto que vale a experiência e o treinamento do psiquiatra: ele vai considerar esta vergonha ou timidez como doentia a partir do momento em que a pessoa sofre algum prejuízo pessoal por causa dela, como, por exemplo, deixar de concluir um curso de graduação ou de pós graduação por causa de um exame final que exija uma apresentação pública diante de avaliadores. Estou apenas dando um exemplo didático, pois há muitas outras ocasiões nas quais esse distúrbio pode se manifestar.

O tratamento medicamentoso é feito com benzodiazepínicos como o Clonazepam ou com o uso dos antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina. Essas medicações permitem uma recuperação entre 70 e 90% da intensidade dos sintomas. É pouco provável obter uma melhora de 100%, embora algumas pessoas fiquem bem próximas disso. Na prática, foi constatado que muitas pessoas mais velhas, normalmente com mais de 50 anos de idade, apresentam uma maior tendência de não obter melhoras significativas com as medicações; entretanto, não há estudos tenham comprovado cientificamente esse fato.

A terapia cognitivo-comportamental geralmente apresenta bons resultados quando realizada durante um tempo mínimo de duração, que varia entre um a dois anos. Não foi detectada recaída nos primeiros anos após a alta, mas acompanhamentos mais prolongados são necessários para se verificar o tempo que essa psicoterapia específica permite livrar o paciente dos sintomas: se pelo resto da vida (remissão completa dos sintomas) ou por apenas alguns anos. Pode ser até que tal psicoterapia permita uma verdadeira cura, caso os pacientes fiquem o resto da vida sem precisar de novas intervenções de qualquer natureza. Somente o tempo poderá verificar isso, ou seja, só as futuras gerações saberão desse fato.

Os efeitos colaterais mais comuns dos inibidores de recaptação de serotonina, como a Paroxetina (Paxil, Aropax), o Escitalopram (Lexapro) e a Luvoxamina (Luvox), entre outros, incluem diminuição da libido, retardo para atingir o orgasmo, aumento de peso e boca seca (este só no início do tratamento). Já os benzodiazepínicos como o Clonazepam podem causar dependência, retardar os reflexos e induzir à sonolência excessiva, principalmente no início do tratamento.

Persistindo dúvidas, não hesitem em questionar os seus psiquiatras ou mesmo considerem a possibilidade de ouvir uma segunda opinião. Como todos os demais artigos sobre saúde e fitness do Ciências e Poemas, este tem apenas caráter informativo e não pretende substituir o aconselhamento médico adequado.