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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Paixão - a doença do amor

A paixão é causada por um conjunto de modificações físicas e cerebrais que ocorrem no homem e na mulher com o intuito de preparar o par para o acasalamento e a reprodução. Quando estamos apaixonados, temos sintomas comuns a muitos distúrbios da mente e da personalidade, como ciúme excessivo (paranóia), a aflição quando o ser amado demora a telefonar (ansiedade), uma idéia ou pensamento fixo no ser amado, que nos leva a telefonar compulsivamente para ele (Trantorno Obsessivo Compulsivo). Além disso, se a pessoa por quem nos apaixonamos termina o relacionamento conosco, nós ficamos profundamente deprimidos (depressão).

Tudo isso indica que, no cérebro dos apaixonados, ocorrem reações neuroquímicas bem definidas, que levam os dois a ficarem juntos e a fazerem amor com muita frequência, com o intuito de que a reprodução aconteça. Uma vez que a mulher engravide, o homem fica a seu lado, agindo de forma protetora.

Curiosamente, uma paixão dura em média três anos, tempo suficiente para que a criança cresça e aprenda a andar e a falar. Não estou insinuando que, com o término da paixão, que pode ser abrupto ou gradativo, o casal vá se separar; às vezes isso acontece, porque, quando nossa neuroquímica cerebral volta ao normal, nós passamos a nos aperceber de defeitos do ser amado que não nos eram aparentes durante o auge da paixão. Nos casos onde a paixão ocorre entre pessoas de personalidade compatível, mesmo quando ela cessa, o casal continua junto, pois a s afinidades propiciam o surgimento do amor, sentimento nobre que também pode estar presente na fase da paixão.

domingo, 27 de março de 2011

Como diferenciar depressão e tristeza

A depressão é uma doença séria que tanto pode ir se desenvolvendo aos poucos como pode ter um início brusco (como uma situação de luto por perda de um ente querido, por exemplo). No primeiro caso, os sintomas iniciais são um desejo crescente de isolamento social, perda ou aumento repentino do apetite, diminuição da libido, sensibilidade exagerada (a pessoa chora à toa), perda de interesse em atividades que antes costumavam ser prezeirosas, etc. Como muitos desses sintomas são comuns a fases de melancolia e tristeza às quais quase todos nós estamos sujeitos pelo menos uma vez na vida, só um psicólogo ou psiquiatra experiente pode fazer o diagnóstico da depressão na fase inicial da doença.

A depressão muitas vezes está associada com outras doenças, como ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, etc (isso se chama comorbidade), mas pode ocorrer isoladamente. Todos esses distúrbios quase sempre têm base genética, e é importante que o paciente informe ao médico se tem casos de depressão na família.

A depressão que se segue a um evento traumático como a perda de um ente querido é, de certa forma, normal e se chama "depressão reativa" ou luto. Obviamente, ela requer tratamento para aliviar o sofrimento quando este é tão intenso que prejudica a vida social e profissional do paciente, mas só poderá ser caracterizada como depressão propriamente dita se continuar muito forte por mais de seis meses a um ano.

Em casos de suspeita de depressão, como já foi enfatizado, o paciente deve procurar o auxílio de um psiquiatra que seja treinado também em psicanálise, pois o tratamento da depressão envolve o uso de medicação apropriada e psicoterapia. Ou então a pessoa pode ir ao psiquiatra para avaliar a necessidade do uso de medicação e fazer a psicoterapia com um bom psicólogo. Embora os antidepressivos modernos sejam eficientes e apresentem um perfil de efeitos colaterais mais brando que o dos antidepressivos tricíclicos amplamente usados no passado, seu uso deve ser estritamente controlado pelo psiquiatra, por dois motivos: (1) eles demoram 3 a 4 semanas para começar a fazer efeito e (2) o medicamento inicialmente prescrito pode não fazer efeito para o paciente, sendo necessária a troca e um novo período de espera.

Para finalizar, eu volto a enfatizar, por ser muito importante, que quase todos nós passamos por períodos melancólicos em que sintomas parecidos com os de início de depressão se manifestam; a distinção, que deve ser feita por psiquiatras e/ou psicólogos, levará em conta o grau de seriedade desses sintomas e o tempo que a pessoa os vem manifestando. Ir a um psiquiatra não deve causar nenhuma vergonha, pois ao contrário de uma crença que ainda resiste em pleno século XXI, eles não são só "médicos de louco". Antes de terminar esse breve texto, um conselho importante: evitem a hipocondria e a automedicação!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Ansiedade

A ansiedade extrema é um mal terrível. Faz a gente viver sempre no futuro, antecipando acontecimentos que provavelmente jamais ocorrerão. Às vezes seus sintomas são somente psicológicos, mas há casos agudos em que ocorrem taquicardia, mãos frias, suor abundante, inclusive nas mãos e até no couro cabeludo, etc.

Os sintomas psicológicos da ansiedade mórbida são realmente torturantes. É claro que uma certa dose de ansiedade pode ser normal e até positiva: por exemplo, você tem que proferir uma palestra, e fica ansioso nos instantes que precedem esse "grande momento"; a ansiedade aumenta a produção de adrenalina e - se você não tiver aquele "branco" - poderá começar gaguejando um pouco, mas logo as palavras fluirão de sua boca numa torrente amazônica. Ansiedade em excesso é uma tortura; ansiedade na dose certa pode ser um dos segredos do sucesso.

Se você sentir-se muito ansioso por algumas semanas e isso estiver prejudicando suas atividades normais, é hora de procurar auxílio. Vá a um psiquiatra treinado em psicanálise, pois ele poderá tratá-lo tanto de forma analítica quanto medicamentosa -nesse último caso, se ele perceber que vale a pena atenuar os seus sintomas até a psicoterapia fazer efeito.

Não tenha vergonha de procurar um psiquiatra: ele não é necessariamente um "médico de loucos", mas também atende pessoas normais, como eu e você, quando a intensidade da vida moderna transforma nossa rotina num turbilhão sufocante. Marque uma consulta, tome um medicamento, se o médico achar que é necessário e aproveite a situação para se conhecer um pouco melhor. Todos os grandes mestres da humanidade, de Buda a Cristo, passando por Sócrates, Platão, Ghandi, Freud, Jung e outros foram unânimes em afirmar: "conhece-te a ti mesmo".

Na verdade, eu estou ansioso agora porque marquei para almoçar com meu filho e ele, para variar, está atrasado. Para dissipar a tensão, resolvi escrever esse post. Assim vou descobrindo as vantagens de se ter um blog - uma delas, com certeza, é dissipar a ansiedade! E não é que funcionou direitinho? O interfone está tocando. Felizmente, ele chegou. Que alívio!

Sérgio

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