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domingo, 27 de março de 2011

Como diferenciar depressão e tristeza

A depressão é uma doença séria que tanto pode ir se desenvolvendo aos poucos como pode ter um início brusco (como uma situação de luto por perda de um ente querido, por exemplo). No primeiro caso, os sintomas iniciais são um desejo crescente de isolamento social, perda ou aumento repentino do apetite, diminuição da libido, sensibilidade exagerada (a pessoa chora à toa), perda de interesse em atividades que antes costumavam ser prezeirosas, etc. Como muitos desses sintomas são comuns a fases de melancolia e tristeza às quais quase todos nós estamos sujeitos pelo menos uma vez na vida, só um psicólogo ou psiquiatra experiente pode fazer o diagnóstico da depressão na fase inicial da doença.

A depressão muitas vezes está associada com outras doenças, como ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, etc (isso se chama comorbidade), mas pode ocorrer isoladamente. Todos esses distúrbios quase sempre têm base genética, e é importante que o paciente informe ao médico se tem casos de depressão na família.

A depressão que se segue a um evento traumático como a perda de um ente querido é, de certa forma, normal e se chama "depressão reativa" ou luto. Obviamente, ela requer tratamento para aliviar o sofrimento quando este é tão intenso que prejudica a vida social e profissional do paciente, mas só poderá ser caracterizada como depressão propriamente dita se continuar muito forte por mais de seis meses a um ano.

Em casos de suspeita de depressão, como já foi enfatizado, o paciente deve procurar o auxílio de um psiquiatra que seja treinado também em psicanálise, pois o tratamento da depressão envolve o uso de medicação apropriada e psicoterapia. Ou então a pessoa pode ir ao psiquiatra para avaliar a necessidade do uso de medicação e fazer a psicoterapia com um bom psicólogo. Embora os antidepressivos modernos sejam eficientes e apresentem um perfil de efeitos colaterais mais brando que o dos antidepressivos tricíclicos amplamente usados no passado, seu uso deve ser estritamente controlado pelo psiquiatra, por dois motivos: (1) eles demoram 3 a 4 semanas para começar a fazer efeito e (2) o medicamento inicialmente prescrito pode não fazer efeito para o paciente, sendo necessária a troca e um novo período de espera.

Para finalizar, eu volto a enfatizar, por ser muito importante, que quase todos nós passamos por períodos melancólicos em que sintomas parecidos com os de início de depressão se manifestam; a distinção, que deve ser feita por psiquiatras e/ou psicólogos, levará em conta o grau de seriedade desses sintomas e o tempo que a pessoa os vem manifestando. Ir a um psiquiatra não deve causar nenhuma vergonha, pois ao contrário de uma crença que ainda resiste em pleno século XXI, eles não são só "médicos de louco". Antes de terminar esse breve texto, um conselho importante: evitem a hipocondria e a automedicação!