sábado, 30 de abril de 2011

Breves observações sobre a depressão

Hoje em dia há poucas dúvidas de que a depressão seja de origem genética e causada pelo desequilíbrio de neurotransmissores no cérebro. Um fato importante do qual muita gente se esquece é o de que todos nós passamos por fases de tristeza e desânimo mais ou menos prolongadas, durante as quais alguns dos sintomas da depressão clínica podem estar presentes; muitas vezes, o diagnóstico da depressão só pode ser feito por psiquiatras experientes.

A depressão se caracteriza por baixa auto-estima, vontade de se isolar socialmente, sensação de desânimo ou cansaço, baixa libido, alterações bruscas no apetite (a pessoa pode querer comer muito ou então não comer nada), sensação incômoda de que a vida não vale a pena, sensação essa que pode vir ou não acompanhada de idéias suicidas, perda de interesse por atividades que antes causavam grande prazer e, em muitos casos, um despertar precoce acompanhado por uma grande tristeza. Muitas vezes a depressão pode ser diagnosticada por esse último sintoma, que normalmente está ausente nas pessoas que estão passando por uma fase de tristeza profunda: o paciente deprimido acorda muito cedo e se sentindo "um lixo", e essa sensação vai melhorando um pouco à medida que o dia avança.

Uma vez feito o diagnóstico, o tratamento consistirá numa combinação de antidepressivos e psicoterapia, podendo esta última ser ministrada por um psicólogo e o tratamento medicamentoso pelo psiquiatra. Como últimas e importantes observações, devo citar que os antidepressivos demoram de 2 a 3 semanas para fazerem efeito, e pode ser que o primeiro antidepressivo prescrito não faça o efeito desejado, sendo necessário um aumento da dose ou então a substituição por um novo medicamento, caso em que um novo período de espera deve ser aguardado. Com os avanços da psiquiatria e da farmacologia, praticamente todos os casos de depressão podem ser curados ou controlados, permitindo que a pessoa leve uma vida normal.

Observação: essa postagem tem caráter meramente informativo e não substitui o aconselhamento médico adequado. Se você acha que pode estar com depressão, procure um psicólogo e/ou psiquiatra.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Causas e tratamento do transtorno bipolar

O transtorno bipolar é caracterizado pela alternância de uma fase depressiva bem definida com uma fase de euforia (mania ou hipomania), acompanhada ou não de delírios. Por esse fato, esse transtorno era antigamente chamado de psicose maníaco-depressiva. Tal transtorno normalmente se origina entre os vinte e os trinta anos de idade, mas já houve casos relatados de pacientes de terceira idade que manifestaram o transtorno pela primeira vez.

Atualmente, divide-se o transtorno bipolar em dois tipos: o tipo I é a forma clássica descrita acima, mas as fases maníacas não são necessariamente seguidas por fases depressivas ou vice-versa. O tipo II é aquele onde a depressão não é seguida por uma fase maníaca, mas hipomaníaca (mais branda).

Na fase maníaca, o paciente se encontra muito animado, risonho e falante, às vezes atropelando seus próprios pensamentos. Pode ter delírios de grandeza e se sente invencível. Pode mudar de humor rapidamente, ou seja, de sorridente pode passar a mal humorado e zangado, e depois esquecer imediatamente a situação ou pessoa que o fez se sentir contrariado.

Entre uma fase e outra a pessoa pode ser normal, tendo uma vida como outra pessoa qualquer; outras pessoas podem apresentar leves sintomas de depressão e hipomania entre as fases, não alcançando uma recuperação plena. Há também uma minoria de pacientes que não se recupera, tornando-se totalmente dependentes de seus familiares e dos profissionais de saúde mental.

A causa primária do transtorno bipolar é desconhecida, mas há fatores que influenciam ou que precipitem seu surgimento, como parentes que apresentem esse problema, traumas, incidentes ou acontecimentos marcantes como mudanças, troca de emprego, fim de casamento, morte de pessoa querida. Não se descarta uma origem genética para esse transtorno, uma vez que em aproximadamente 80 a 90% dos casos os pacientes apresentam algum parente na família com esse problema.

O tratamento é feito com uma combinação de antidepressivos com estabilizadores de humor, nos casos em que a depressão é muito forte; atualmente, há uma tendência crescente na psiquiatria de se tratar o transtorno bipolar apenas com estabilizadores de humor, como o carbonato de lítio, alguns anticonvulsionantes modernos como o topiramato, etc. Nos casos de episódios maníacos delirantes, é necessário o uso de antipsicóticos.

Por último, mas não menos importante, as informações contidas neste blog não têm a pretensão de substituir o diagnóstico e o tratamento médico adequados. Atualmente, há uma tendência de se rotular pessoas normais como tendo algum tipo de problema psiquiátrico; por exemplo, uma pessoa que esteja profundamente triste é dada como deprimida, e uma pessoa “de lua”, que apresenta fases de alegria intercaladas com fases em que está mais introspectiva é taxada de bipolar, etc. Desta forma, somente um profissional de saúde devidamente qualificado deverá estabelecer diagnósticos e tratamentos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Causas naturais de desequilíbrios ambientais

Há vários fatores naturais que produzem desequilíbrio ambiental; entre os mesmos, talvez os que mais causem modificações sejam as erupções vulcânicas muito intensas e do tipo explosivo; tais erupções lançam material particulado na atmosfera (a chamada "poeira vulcânica"), o qual, ao refletir a energia do sol de volta para o espaço, pode criar uma espécie de "inverno vulcânico" que causará a extinção de algumas espécies de plantas e animais em vários ecossistemas. Além disso, o gás sulfídrico (um composto de enxofre) lançado pela erupção na atmosfera pode tornar a chuva ácida, causando contaminação dos corpos de água e afetando os ecossistemas nele existentes.

Um segundo exemplo de causa natural de desequilíbrio ambiental é o impacto de um grande meteoro, como o que ocorreu há 65 milhões de anos na Península de Yucatan, no México. Esse impacto causou fortes desequilíbrios em praticamente todos os ecossistemas da Terra, tendo sido responsável, segundo a opinião da maioria dos cientistas, pela extinção dos dinossauros. Além disso, há fortes evidências de que esse impacto causou incêndios florestais em todo o mundo, porque, nos afloramentos rochosos onde é possível encontrar sedimentos datados de 65 milhões de anos atrás, evento que marca a passagem do Período Cretáceo para o Terciário, há uma fina camada de cinzas e carvão com elevados teores de irídio, um elemento raro encontrado em meteoritos. A associação dessa anomalia positiva de irídio com a delgada camada de carvão datada de 65 milhões de anos, encontrada em afloramentos rochosos em todo o mundo, constitui evidência muito forte de que o citado impacto causou violentos incêndios que cobriram a Terra.

Uma terceira causa natural de desequilíbrios ambientais são as mudanças climáticas relativamente rápidas; por exemplo, até cerca de 7 mil anos atrás o Deserto do Saara era úmido e habitado por espécies como o crocodilo e o ser humano, conforme provado pela descoberta de fósseis relativamente recentes do citado animal e pinturas rupestres em paredes rochosas, indicando que o homem habitava a área do atual deserto. Uma mudança no regime dos ventos causou um ressecamento rápido do ambiente, o qual causou desequilíbrios ambientais que culminaram na morte da maioria das espécies que lá viviam; já o ser humano migrou para o leste, em direção ao Rio Nilo, onde iniciou a Civilização Egípcia há cerca de 5 mil anos atrás.

sábado, 23 de abril de 2011

Profissões arriscadas

Alguém me disse que achava que os limpadores de janelas eram os trabalhadores que mais se arriscavam no exercício de suas atividades. Eu respondi que esses trabalhadores atuam cercados de bons aparatos de segurança e é muito difícil ver um caindo por aí. É fácil apontar profissões mais perigosas:

(1) os alpinistas profissionais, que frequentemente são mortos em serviço devido a quedas ou avalanches de neve;

(2) os policiais das grandes cidades, que são frequentemente mortos em confronto com bandidos, sejam esses confrontos planejados ou fortuitos;

(3) os bombeiros, que corajosa e altruisticamente atendem a todos os tipos de chamados e por vezes morrem coletivamente, como foi o caso do onze de setembro de 2001 nas torres gêmeas de Nova Iorque;

(4) os mergulhadores da indústria do petróleo, que atingem profundidades máximas de 300 m e às vezes morrem por problemas de despressurização;

(5) os militares, cuja vida consiste, como disse um filósofo cujo nome não me lembro, em "longos instantes de tédio e breves momentos de terror".

Se algum dos leitores se lembrar de mais alguma profissão perigosa, por favor fique à vontade para comentar!

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Como se proteger de um terremoto

Os terremotos, como já foi ressaltado nesse blog, consistem na passagem de ondas sísmicas por uma determinada região. Para saber como agir no caso de um terremoto, é necessário se conhecer princípios básicos da natureza das ondas sísmicas e suas formas de propagação.

Um terremoto normalmente consiste de um forte abalo principal seguido de abalos secundários. Isso acontece porque as primeiras ondas a atingir a região são as ondas primárias ou “ondas P”, cuja velocidade de propagação é mais alta; logo após, vem as ondas secundárias (ondas S), assim chamadas por serem mais lentas que as primárias. As ondas S são responsáveis pelos abalos que se seguem ao tremor principal. Há ainda um terceiro grupo de ondas sísmicas ainda mais lentas, que se propagam pela superfície da Terra e são chamadas de ondas “L” por causa de seu longo comprimento de onda.

Apesar do grande avanço das Geociências nas últimas décadas, infelizmente ainda não é possível prever os terremotos. Como curiosidade, eu vi num documentário de TV a cabo a história de um geofísico californiano que conseguia antever a ocorrência dos terremotos, que são muito frequentes naquele Estado americano, apenas observando os classificados nos jornais; ele descobriu que, poucos dias antes de um tremor, os anúncios de cães desaparecidos dobravam de número. Apesar de este método ser muito pouco científico, sabemos que, de certa forma, muitos animais pressentem os terremotos, provavelmente porque as zonas de falhas geológicas, quando estão próximas do ponto de ruptura, emitem sinais sonoros que são percebidos pelos animais, pois a maioria dos quais tem a audição mais apurada que a nossa.

Se você, leitor brasileiro, estiver a turismo numa região sismicamente ativa, deverá estar familiarizado com os procedimentos básicos que devem ser tomados quando ocorre um terremoto. Aqui mesmo no Brasil, há regiões, como é o caso do agreste e do sertão de Pernambuco, onde pequenos tremores são freqüentes. Esse fato levou o governo daquele estado nordestino a elaborar, em convênio com a UFRN, uma cartilha com recomendações simples para os cidadãos que vivem nessas áreas.


Quando a região onde estamos é abalada por um forte terremoto, é importante não entrarmos em pânico. Se você estiver em um edifício, como um hotel, saiba que os tremores são sentidos com maior intensidade nos andares mais altos. Nesse caso, afaste-se de janelas ou outros objetos de vidro ou de grande tamanho, como armários; não use os elevadores nem as escadas. Se houver incêndio, alerte os demais hóspedes e procure apagá-lo com o extintor mais próximo. Procure se abrigar abaixo de uma mesa ou deite-se no chão, em posição fetal, com o corpo encostado na lateral de uma cama ou de um grande móvel, pois, em caso de desabamento, esses locais normalmente oferecerão espaços vazios em meio aos escombros. Caso seja possível, procure se abrigar nas porções mais externas do edifício, pois esses serão os locais mais facilmente acessáveis pelas equipes de resgate.

Se uma pessoa ficar embaixo do umbral de uma porta, quando um edifício colapsa, a morte é quase certa, porque se você está em pé, embaixo da moldura de uma porta e essa moldura cede e se move para frente ou para trás, você pode morrer esmagado por todo o teto que existe acima de você. Se a moldura da porta cair para algum lado, a moldura vai cortar você pela metade, com todo o peso que vai receber em cima. De qualquer maneira, você vai morrer; portanto, não fique embaixo da moldura de uma porta, em caso de terremoto. Ao invés disso, proceda como foi explicado no parágrafo anterior.

Se você estiver em uma casa, faça de tudo para evitar um possível incêndio, retirando os aparelhos domésticos da tomada e desligando o registro do gás. Vá para a rua e procure ficar no local mais aberto que encontrar, evitando ficar próximo de tudo o que possa desabar, como edificações, monumentos, marquises e árvores.

Caso você fique preso sob os escombros de alguma construção, aguarde um pouco antes de começar a gritar ou fazer barulho para chamar a atenção das equipes de resgate. Os salvamentos acontecem, em geral, só uma hora após o tremor. Por isso, preserve o fôlego (principalmente se estiver muito ferido) e conserve o ar que existe ao seu redor.

Se você estiver em um carro ou ônibus e estes ficarem parados em engarrafamentos, saia dos mesmos e procure se abrigar em locais abertos, ou, caso isso não seja possível, procure se deitar entre os veículos engarrafados, em posição fetal.

Se você já estiver em um local aberto e estiverem caindo pedaços de destroços de construções, sente-se no chão, apóie a cabeça entre os joelhos e cubra-a com os braços, a fim de protegê-la. Se você continuar em pé e correndo, as chances de ser atingido por destroços são grandes.

Finalmente, esteja atento a alertas de tsunamis, que podem ocorrer caso o epicentro do terremoto seja submarino, mas próximo da costa. Nesses casos, tente fugir para os locais mais altos e distantes do litoral, e proceda como indicado aqui.

Uma diferença importente entre gripe e dengue

A gripe, os resfriados e a dengue são viroses e apresentam basicamente os mesmos sintomas. O tratamento é o mesmo: repouso e hidratação, de preferência com muitos sucos de frutas ricas em vitamina C, para fortalecer o sistema imunológico. Se você suspeita de dengue, procure um médico ou o posto de saúde de sua cidade para fazer o teste específico. Uma diferença importante da dengue em relação à gripe é que a dengue pode se complicar após a febre ter cedido, justamente quando a pessoa acha que já está melhor. Caso você sinta dor de barriga e diarréia depois que a febre já passou, procure atendimento médico com urgência, pois a dengue pode ter se complicado, tranformando-se na forma hemorrágica. Em qualquer caso de suspeita de dengue, o uso de analgésicos que contenham aspirina está contraindicado, pois a aspirina pode agravar os casos de dengue hemorrágica.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Paixão - a doença do amor

A paixão é causada por um conjunto de modificações físicas e cerebrais que ocorrem no homem e na mulher com o intuito de preparar o par para o acasalamento e a reprodução. Quando estamos apaixonados, temos sintomas comuns a muitos distúrbios da mente e da personalidade, como ciúme excessivo (paranóia), a aflição quando o ser amado demora a telefonar (ansiedade), uma idéia ou pensamento fixo no ser amado, que nos leva a telefonar compulsivamente para ele (Trantorno Obsessivo Compulsivo). Além disso, se a pessoa por quem nos apaixonamos termina o relacionamento conosco, nós ficamos profundamente deprimidos (depressão).

Tudo isso indica que, no cérebro dos apaixonados, ocorrem reações neuroquímicas bem definidas, que levam os dois a ficarem juntos e a fazerem amor com muita frequência, com o intuito de que a reprodução aconteça. Uma vez que a mulher engravide, o homem fica a seu lado, agindo de forma protetora.

Curiosamente, uma paixão dura em média três anos, tempo suficiente para que a criança cresça e aprenda a andar e a falar. Não estou insinuando que, com o término da paixão, que pode ser abrupto ou gradativo, o casal vá se separar; às vezes isso acontece, porque, quando nossa neuroquímica cerebral volta ao normal, nós passamos a nos aperceber de defeitos do ser amado que não nos eram aparentes durante o auge da paixão. Nos casos onde a paixão ocorre entre pessoas de personalidade compatível, mesmo quando ela cessa, o casal continua junto, pois a s afinidades propiciam o surgimento do amor, sentimento nobre que também pode estar presente na fase da paixão.